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BCE e EBA propõem reformas concorrentes na arquitetura de stablecoins do MiCA

O BCE e os bancos centrais dos 27 países da UE propuseram eliminar a regra de reserva obrigatória em depósitos bancários para emissores de stablecoins. Simultaneamente, a Autoridade Bancária Europeia pediu à Comissão Europeia que amplie o escopo do MiCA para incluir crédito cripto, limites de alavancagem e acesso a protocolos DeFi de crédito.

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O que aconteceu

O BCE e os bancos centrais dos 27 países membros da UE propuseram eliminar o requisito do MiCA que obriga emissores de stablecoins a manter parte de suas reservas em depósitos bancários. CryptoSlate informou que a proposta desafia diretamente essa salvaguarda obrigatória, enquadrando-a como obstáculo em vez de proteção. Bits.Media confirmou: o BCE e os bancos centrais nacionais de todos os 27 países da UE planejam cancelar essa condição específica de reserva inscrita no MiCA.

Em paralelo, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) pediu à Comissão Europeia que estude se o crédito e empréstimos cripto devem ser enquadrados no MiCA. ForkLog informou que a EBA solicitou especificamente uma análise dos casos em que empresas cripto concedem a clientes acesso a protocolos DeFi de crédito. As ferramentas potenciais citadas pela EBA incluem verificações de conformidade para serviços voltados ao cliente, limites de alavancagem em operações de crédito e requisitos adicionais de divulgação. A autoridade também levantou a possibilidade de um sistema de certificação.

DiarioBitcoin acrescenta que o pedido da EBA vai além do crédito: a autoridade pressionou por fronteiras mais claras na classificação de tokens, supervisão mais rigorosa de stablecoins globais e regras mais definidas para depósitos tokenizados – áreas em que as definições atuais do MiCA criam ambiguidade.

Por que isso importa

As duas propostas apontam em direções opostas, e essa tensão é o núcleo da questão. O bloco dos bancos centrais quer flexibilizar uma das salvaguardas mais concretas do MiCA para stablecoins. A EBA quer expandir o perímetro do MiCA para crédito e DeFi. Ambos respondem à mesma pressão: o MiCA, em plena vigência desde dezembro de 2024, já encontra seus limites.

A regra de reserva em depósitos bancários foi criada para garantir que a liquidez de stablecoins permaneça ancorada no sistema financeiro da UE. Para emissores de tokens referenciados em euros e em ativos, esse requisito significa exposição direta ao risco de contraparte bancária – exatamente o risco que as estruturas de stablecoin frequentemente buscam evitar. Se a proposta do BCE avançar, os emissores poderão manter reservas em formas alternativas. Isso altera de forma relevante o cálculo de conformidade para emissores de stablecoins fora da UE que avaliam buscar autorização pelo MiCA. Também influencia como as exchanges autorizadas na UE lidam com listagens de stablecoins para seus clientes de varejo.

A iniciativa da EBA sobre crédito importa para um público diferente. Qualquer CASP – prestador de serviços de ativos criptográficos – que ofereça protocolos DeFi de crédito a clientes de varejo na UE pode enfrentar novos requisitos de licenciamento, limites de alavancagem ou divulgações obrigatórias. Plataformas que combinam custódia com produtos de rendimento ou crédito são as mais expostas. A menção explícita da EBA ao acesso a protocolos DeFi de crédito indica que o regulador não distingue entre empréstimo direto e acesso intermediado.

CryptoSlate também destacou que o código britânico para stablecoins sistêmicas em libras esterlinas atingia simultaneamente seu prazo de consulta. Se o Reino Unido finalizar uma estrutura de reservas mais leve enquanto a UE ainda debate mudanças, os emissores de stablecoins terão um incentivo estrutural claro para escolher domicílio no Reino Unido para distribuição próxima à UE.

O que muda e quando

Nada muda imediatamente. As regras atuais do MiCA – licenciamento de CASP, requisitos de autorização para stablecoins, a condição de reserva em depósitos bancários – permanecem em vigor hoje. A proposta do BCE e dos bancos centrais nacionais é exatamente isso: uma proposta. Ela não foi apresentada como emenda legislativa formal ao Parlamento Europeu ou ao Conselho. Qualquer mudança no texto do MiCA exigiria o procedimento padrão de codecisão, que normalmente leva de um a dois anos da proposta formal até a entrada em vigor.

O pedido da EBA por um marco regulatório para crédito cripto está em estágio ainda mais inicial. A EBA pediu à Comissão Europeia que analise possíveis mudanças legislativas – não que as elabore. A Comissão precisaria emitir uma resposta formal, possivelmente encomendando um estudo, e então decidir se inicia uma emenda específica ao MiCA ou aguarda um ciclo mais amplo de revisão.

O que traders e desenvolvedores devem acompanhar não são as propostas em si, mas o calendário de resposta da Comissão. Um processo formal de revisão do MiCA – se aberto – definiria o prazo para quando novas regras de crédito ou requisitos de reserva revisados poderiam realisticamente entrar em vigor.

O que ainda está em aberto

A questão mais relevante é se a Comissão Europeia tratará essas duas iniciativas como uma revisão coordenada ou como contribuições separadas com cronogramas distintos. O bloco dos bancos centrais e a EBA não estão alinhados. Os bancos centrais querem reduzir uma salvaguarda de reserva; a EBA quer adicionar novas camadas em áreas adjacentes. A Comissão detém o direito formal de iniciativa legislativa e precisará ponderar essas posições entre si e em relação aos interesses do Parlamento Europeu, que defendeu algumas das disposições mais rígidas do MiCA durante as negociações.

A classificação de tokens é outra área não resolvida. DiarioBitcoin reportou a preocupação da EBA com tokens híbridos – instrumentos que embaralham a linha entre tokens referenciados em ativos, tokens de moeda eletrônica e tokens utilitários. O sistema de classificação do MiCA determina qual conjunto de regras se aplica a um determinado produto. Se a EBA conseguir abrir uma revisão de classificação, alguns tokens atualmente operando sob uma categoria do MiCA poderão ser reclassificados, com consequências imediatas de conformidade.

Há ainda a questão de quanto a proposta dos bancos centrais é motivada por preocupações com a competitividade da UE em vez de raciocínio puramente de estabilidade financeira. Se a resposta for competitividade, a proposta ganha força política. Se for lida como enfraquecimento da proteção a depositantes, enfrentará resistência dos mesmos parlamentares que moldaram os requisitos de reserva originais.

Nossa análise

Para traders em plataformas reguladas na UE, nada muda hoje. O requisito de reserva para stablecoins permanece em vigor. A licença CASP da exchange continua sendo o primeiro item a verificar antes de depositar ou operar – qualquer plataforma que atenda clientes de varejo na UE com tokens regulados pelo MiCA deve possuir uma. Recomendamos consultar diretamente o registro de CASPs publicado pela ESMA, sem depender de autodeclarações das exchanges.

Se você mantém ou negocia posições relevantes em stablecoins que precisaram de autorização pelo MiCA para permanecer listadas, acompanhe o calendário legislativo da Comissão Europeia. Uma proposta formal de emenda ao MiCA sinalizaria que a mudança de reserva passou da fase de discussão para a de elaboração. Essa transição é quando as estratégias de autorização para emissores de stablecoins efetivamente se transformam.

Para desenvolvedores que trabalham com integrações de crédito DeFi voltadas a usuários da UE, o sinal da EBA é inicial, mas tem direção clara. Não esperaríamos as regras definitivas antes de revisar se sua arquitetura direciona clientes de varejo da UE por meio de protocolos de crédito identificáveis. A EBA citou especificamente esse padrão como foco de sua análise. Um design orientado à conformidade agora custa menos do que uma reformulação após a vigência das regras.

Acompanhe três pontos em paralelo: a resposta da Comissão ao relatório de crédito da EBA, qualquer submissão formal da proposta dos bancos centrais sobre reservas ao processo de codecisão, e o resultado da consulta britânica sobre stablecoins. A diferença entre as regras do Reino Unido e da UE para stablecoins é a arbitragem estrutural que definirá onde a próxima geração de emissores autorizados de stablecoins escolherá se constituir.

Perguntas frequentes

Os bancos centrais da UE estão de fato removendo os requisitos de reserva para stablecoins agora?

Não. O BCE e os bancos centrais dos 27 países membros da UE propuseram eliminar a parcela obrigatória de depósitos bancários nas reservas de stablecoins, mas isso é uma proposta, não uma mudança já aprovada. Os requisitos de reserva atuais do MiCA permanecem em vigor até que qualquer emenda legislativa conclua o procedimento de codecisão da UE.

O que a EBA quer regular no crédito cripto?

A Autoridade Bancária Europeia pediu à Comissão Europeia que analise a inclusão do crédito cripto e do acesso a DeFi de crédito no MiCA, incluindo casos em que empresas cripto direcionam clientes a protocolos DeFi de crédito. A EBA citou ferramentas potenciais como limites de alavancagem, verificações de conformidade para clientes e requisitos adicionais de divulgação, mas nenhuma regra formal foi elaborada ainda.

Como a proposta da EBA sobre tokens híbridos afeta ativos já listados no MiCA?

A EBA pediu fronteiras de classificação mais claras para tokens híbridos – ativos que transitam entre as categorias existentes do MiCA: tokens referenciados em ativos, tokens de moeda eletrônica e tokens utilitários. Se a Comissão Europeia agir com base nisso, alguns produtos atualmente enquadrados em uma categoria do MiCA poderão ser reclassificados, alterando qual conjunto de regras de conformidade se aplica a eles.

Este artigo e para fins educacionais e nao constitui aconselhamento de investimento. Criptomoedas envolvem alto risco. Negocie apenas com fundos que voce pode perder.

CoinMagnetic

Equipe CoinMagnetic

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Atualizado: setembro de 2026

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