A Castle Island Ventures é uma firma de capital de risco sediada em Cambridge, Massachusetts, focada exclusivamente em redes públicas de blockchain e nas empresas construídas sobre elas. Fundada em 2018 por Nic Carter e Matt Walsh, a firma adota uma abordagem orientada por tese: apoia negócios que dependem de blockchains abertas e sem permissão, não de projetos privados de ledger distribuído. Essa convicção manteve seu portfólio concentrado em infraestrutura Bitcoin, stablecoins, custódia, ferramentas de conformidade e finanças descentralizadas.
A firma captou pelo menos dois fundos desde sua criação. O Fundo I fechou em aproximadamente US$ 30 milhões em 2018, e o Fundo II veio em 2020 com tamanho semelhante. Um terceiro veículo estava em formação no período 2022–2023, embora a Castle Island não tenha divulgado publicamente os valores finais dos fundos seguintes. O AUM total até meados de 2026 não foi confirmado publicamente. A firma normalmente emite cheques em estágio inicial e lidera rodadas seed ou Série A, o que é compatível com seu total de 26 investimentos-líderes em um portfólio divulgado de 11 empresas ativas.
A Castle Island atua principalmente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, com preferência declarada por empresas que desenvolvem produtos regulamentados ou prontos para regulamentação. Isso moldou um portfólio voltado para infraestrutura que clientes institucionais podem usar – custódia, análise de dados e trilhos de pagamento, em vez de tokens especulativos.
Investimentos notáveis
- Anchorage Digital – plataforma de custódia de cripto para instituições; tornou-se o primeiro banco de cripto com alvará federal nos Estados Unidos em janeiro de 2021, concedido pelo OCC.
- Compound Finance – protocolo de empréstimo descentralizado na Ethereum; um dos primeiros blue chips de DeFi e peça fundamental do ecossistema de finanças abertas.
- TRM Labs – inteligência em blockchain e monitoramento de transações para instituições financeiras e agências governamentais.
- River Financial – corretora exclusiva de Bitcoin e operadora de nó na Lightning Network, atendendo clientes de varejo e institucionais.
- Bitwise Asset Management – fundos de índice de cripto e produtos de ETF; tornou-se um grande participante no ciclo de aprovação do ETF spot de Bitcoin em 2024.
- Silvergate Bank – investimento inicial e relevante no banco amigável às criptomoedas que operava a Silvergate Exchange Network (SEN). O Silvergate entrou em liquidação voluntária em março de 2023, representando uma perda significativa no portfólio.
Equipe
Nic Carter é sócio-geral e um dos pesquisadores mais reconhecidos no espaço Bitcoin. Antes de cofundar a Castle Island, foi analista de cripto na Fidelity Investments e cofundou a Coin Metrics, empresa de dados on-chain. Escreve e fala amplamente sobre Bitcoin, política monetária e questões regulatórias. Seus comentários sobre prova de trabalho, stablecoins e serviços bancários para cripto foram citados em contextos acadêmicos e de formulação de políticas públicas.
Matt Walsh é sócio-geral responsável por grande parte das operações e do fluxo de negócios da firma. Antes da Castle Island, Walsh atuou em finanças tradicionais e em venture em estágio inicial. As informações públicas sobre sua trajetória pré-2018 são mais limitadas em comparação ao perfil público de Carter, mas a ele se atribui boa parte do trabalho de construção do portfólio nas decisões de follow-on em estágios posteriores.
Atividade recente
Ao longo de 2024 e no início de 2025, a Castle Island atuou ativamente no espaço de infraestrutura para stablecoins à medida que a clareza regulatória avançou nos Estados Unidos. A firma apoiou publicamente o esforço legislativo em torno do GENIUS Act e de marcos semelhantes para stablecoins. Carter foi vocal sobre a importância das stablecoins emitidas por bancos e regulamentadas em comparação com alternativas offshore. O investimento anterior em Anchorage se beneficiou da manutenção do alvará do OCC ao longo de governos sucessivos.
A falência do Silvergate no início de 2023 testou o portfólio, mas não desviou a trajetória de captação da firma. A Castle Island evitou investimentos em corretoras de forma geral, o que a poupou de exposição direta ao colapso da FTX no final de 2022. Seu foco em infraestrutura de conformidade e custódia se mostrou defensável durante a reestruturação do setor em 2022–2023.
No horizonte, a Castle Island está posicionada em torno de dois temas duradouros: o Bitcoin como ativo de reserva e de pagamento, e a infraestrutura regulamentada de stablecoins. Ambos os temas ganharam impulso institucional desde 2024. Os tamanhos relativamente pequenos dos fundos da firma impedem que ela lidere mega-rodadas, mas seu posicionamento antecipado em empresas como Anchorage e Bitwise conferiu credibilidade junto a limited partners que priorizam qualidade em detrimento do ritmo de alocação. Com um ROI de varejo de 0,79 nas posições divulgadas, os retornos foram modestos em relação aos ganhos de destaque do mercado cripto – reflexo das apostas conservadoras da firma em infraestrutura, em vez de exposição a tokens de alto risco.
