'Stablecoins não deixam remessas mais baratas e perderam sua função', defende Roberto Campos Neto

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, trouxe à tona uma discussão crítica sobre as stablecoins, afirmando que esses ativos não estão cumprindo sua função original de facilitar remessas internacionais mais baratas. Em um artigo publicado na Folha de S.Paulo, ele analisa como as stablecoins se distanciaram de sua proposta inicial e passaram a ser vistas mais como reservas de valor do que como instrumentos de pagamento. Campos Neto ressalta que os custos associados às conversões e o fenômeno da dolarização são fatores que comprometem a eficácia das stablecoins no mercado de remessas.
Para entender o contexto, é importante lembrar que as stablecoins foram introduzidas como uma resposta às volatilidades das criptomoedas tradicionais, prometendo uma maior estabilidade de preços ao serem atreladas a ativos como o dólar. No entanto, com o tempo, o uso dessas moedas digitais se diversificou, e muitos usuários começaram a utilizá-las como alternativas de investimento, em vez de apenas meios de pagamento. A crescente dependência de stablecoins para a dolarização das economias locais levanta preocupações sobre a soberania monetária e o impacto que isso pode ter nas políticas econômicas nacionais.
A análise de Campos Neto é relevante para o mercado, pois traz à luz a necessidade de uma revisão crítica do papel das stablecoins na economia global. Se, de fato, esses ativos não estão cumprindo sua função de reduzir custos nas remessas, a adoção crescente deles pode criar um cenário onde as pessoas não somente pagam mais por serviços, mas também se tornam dependentes de ativos que não oferecem as promessas iniciais. Esse fator pode levar a um aumento da desconfiança entre os usuários e investidores, afetando a adoção mais ampla de criptomoedas como um todo.
A reação do setor tem sido mista. Especialistas em criptomoedas e economistas têm debatido as afirmações de Campos Neto, com alguns concordando que a falta de regulamentação clara e os altos custos de transação ainda são impedimentos significativos para o uso eficiente das stablecoins. Outros, no entanto, apontam para o potencial das stablecoins em nichos específicos e em mercados em desenvolvimento, onde a infraestrutura financeira tradicional pode ser limitada. Esse debate revela as complexidades do ecossistema cripto e a necessidade de soluções que equilibrem a inovação com a responsabilidade.
O que vem a seguir nesse cenário é uma discussão mais ampla sobre a regulamentação das stablecoins e a implementação de alternativas que possam realmente atender às necessidades do mercado. Campos Neto sugere o Drex, uma moeda digital proposta pelo Banco Central, como uma alternativa pública e regulada que poderia oferecer uma solução mais efetiva para o problema das remessas. À medida que o debate avança, será crucial observar como as políticas monetárias e as inovações tecnológicas se entrelaçarão para moldar o futuro das transações financeiras no Brasil e além.
Equipe CoinMagnetic
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Atualizado: agosto de 2026
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